quarta-feira, 10 de abril de 2013
A cidadania ateniense
segunda-feira, 11 de março de 2013
Das classes sociais – Platão – 428/7 – 347/6
por Osvaldo Duarte
Para propor uma divisão de classes (parte da cidade) na sua República – Livro III, Platão recorre a uma nobre mentira da Fenícia:
“(...) na verdade, tinham sido moldados e criados no interior da terra, tanto eles, como as suas armas e o restante do equipamento; e que, depois de eles estarem completamente forjados, a terra, como sua mãe que era, os deu à luz, e que agora devem cuidar do lugar em que se encontram como de uma mãe e ama, e defendê-la, se alguém for contra ela, e considerar os outros cidadãos como irmãos, nascidos da terra.
No Estado harmonioso e pacífico, os cidadãos devem viver como irmãos e, cada classe tem o seu papel importante na manutenção dessa sociedade. Platão divide esta sociedade em três classes: Os que governam (os que mandam-Filósofos), os auxiliares (guerreiros), e os que produzem (lavradores, artífices).
“(...) mas o deus que vos modelou, àqueles dentre vós que era aptos para governar, misturou-lhes ouro na sua composição, motivo por que são mais preciosos; aos auxiliares, prata; ferro e bronze aos lavradores e demais artífices.”
Esta estrutura social não era rígida quanto à escolha dos cidadãos entre as classes, pois estavam todos unidos pelo grau de parentesco.
Prossegue Platão:
“Uma vez que sois todos parentes, na maior parte dos casos gerareis filhos semelhantes a vós, mas pode acontecer que do ouro nasça uma prole argêntea, e da prata, um áurea, e assim todos os restantes, uns dos outros. Por isso o deus recomenda aos chefes, em primeiro lugar acima de tudo, que aquilo em que devem ser melhores guardiões e exercer a mais aturada vigilância é sobre as crianças, sobre a mistura que entra na composição das suas almas, e, se a sua própria descendência tiver qualquer porção de bronze ou ferro, de modo algum compadeçam, mas lhe atribuam a honra que compete à sua conformação, atirando com eles para os artífices ou os lavradores, e se, por sua vez, nascer destes alguma criança com parte de ouro ou de prata, que lhe dêem as devidas honras, elevando-os aos guardiões, outros aos auxiliares ...”
Os governantes deverão ter uma boa educação e não será permitido possuir bens próprios, a não ser coisas de primeira necessidade, sendo que ao possuírem dinheiro, terras e habitações serão administradores dos seus próprios bens e não cuidarão da cidade. Esta classe deverá ser pura, não precisando nada de humano, pois já têm em sua alma ouro e prata.
Créditos:
PLATÃO. A República. Trad. Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1993.
AMZALAK, M.B. Platão e a Economia da Cidade. Lisboa, 1950.
quarta-feira, 6 de março de 2013
O governo de um só – Tomás de Aquino – 1224 - 1274 d.C
por Osvaldo Duarte
Com vistas à natureza, Tomás reforça a sua tese de que o governo de um só, isto é, o governo do príncipe, é preferível aos demais regimens de governo.
“O mais bem ordenado é o natural; pois, em cada coisa, opera a natureza melhor. E todo o regímen natural é de um só. Assim, na multidão dos membros, um é o que a todos move, isto é – o coração; e, nas partes da alma, preside uma faculdade principal, que é a razão. Têm as abelhas uma só rainha, e em todo o universo há um só Deus, criador e regedor de tudo.Tôda a multidão deriva de um só. Por onde, se as coisas de arte imitam as da natureza e tanto melhor é a obra de arte, quanto mais busca a semelhança da que é da natureza, importa seja o melhor, na multidão humana, o governar-se por um só”.
O nome tirano, segundo o doutor Angélico, é derivado de força, pois oprime pelo poder, ao invés de regrar pela justiça.
“Assim, porém, como é ótimo o regímen do rei, também é péssimo o governo do tirano”.
Do mau governo:
Tirania – governo de um só , regime injusto.
Oligarquia – principado de poucos que por terem riqueza, oprimem o povo, diferindo do tirano apenas em número.
Democracia – regime iníquo que se exerce por muitos; populacho oprime os ricos pelo poder da multidão, sendo então todo o povo como um só tirano.
Do bom governo:
Aristocracia – governo de poucos, mas virtuosos.
Em defesa do Rei:
Rei é o pastor que busca o bem comum e não o interesse próprio.
Créditos:
AQUINO. Tomás. Do Govêrno dos Príncipes. Trad. Arlindo Veiga dos Santos. São Paulo, Editora Anchieta, 1946.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Os órgãos dos sentidos segundo o filósofo Alcmeão
por Leandro Morena
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Crítica à vivissecção - Parte I
GREIF, Sérgio e TRÉZ, Thales. A Verdadeira face da experimentação animal. Editora Fala Bicho, Rio de Janeiro, 2000;
SINGER, Peter. Libertação Animal. Trad. Marly Winckler. Editora Lugano, São Paulo, 2008;
VOLTAIRE. Dicionário Filosófico Voltaire. Trad. Líbero Rangel de Tarso. Atenas Editora, São Paulo, 1937.
Foto 1: http://pt.wikipedia.org/wiki/Voltaire
Foto 2 : http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-59702010000300002&script=sci_arttext
Foto 3 : http://www.midiaindependente.org/pt/red/2005/07/321897
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Da Arché ou do Elemento Primordial
por Osvaldo Duarte
Apresentamos de relance alguns fragmentos dos primeiros filósofos jônios que trataram da Arché (começo, ponto de partida) e também os fragmentos de Heráclito. Omitimos os dados biográficos porque pretendemos tão-somente mostrar alguns preciosos fragmentos sobre o tema. Optamos, por uma questão de praticidade, a tradução dos fragmentos de Eudoro de Sousa.
Segundo a tradição, a Filosofia “começa” com a Escola Jônica, embora o termo “escola” enquanto moderno, para alguns estudiosos não parece ser adequado, no entanto, estão de acordo quanto ao berço da Filosofia: a Jônia, nas costas da Ásia Menor, a primeira região de civilização helênica.
Os primeiros filósofos: Tales, Anaximandro e Anaxímenes, tinham como objeto de estudo a physis (Natureza), por este motivo serem conhecidos também como fisiólogos (os que estudam a natureza).
O primeiro filósofo e fisiólogo, Tales de Mileto (ca. 624-546), foi considerado por Aristóteles como “o príncipe da Filosofia”; como filósofo procurava o saber desinteressado e, considerava como substrato original, isto é, como princípio de tudo, a água.
Tales, (...), afirma que o princípio é a água (assim, declarava ele que a Terra flutua na água) crença a que ele teria sido levado pela observação de que tudo se nutre do <elemento> úmido e que o próprio calor dele provém e nele vive (...).
Tales de Mileto, filho de Examias, e Hípon (que, parece, era ateu) induzidos pelas aparências sensíveis, asseveravam que a água é o princípio.
Anaximandro (ca.610-545), que nos legou o primeiro escrito filosófico do ocidente – Sobre a Natureza, admitia um princípio universal, entretanto, se opondo a Tales, considerava como arché o ápeiron (não limitado, indefinido) que é um todo e nunca muda e são também infinitos em número, imortal e imperecível.
[O ápeiron (infinito, ilimitado) é princípio primordial (arché)] Dos que admitem um só princípio do movimento, infinito, A., filho de Praxíades, de Mileto, discípulo de Tales, diz que o infinito é o elemento e princípio primordial, tendo sido ele o primeiro que introduziu a palavra <arché>. E afirma que não é a água ou qualquer outro dos que nós denominamos “elementos”, mas certa natureza infinita, diferente, da qual haveriam nascido todos os céus e todos os cosmos neles contidos.
De certa natureza infinita nasceu o céu e os cosmos nele contido. Sem tempo e sem idade.
Anaxímenes (ca.585-528) foi discípulo de Anaximandro e considerava o ar como arché. O ar é a força vital, a divindade que anima.
Anaxímenes (...) discípulo de Anaximandro, também admite só uma substância, que – tal como seu mestre, declara infinita. Mas <a substância> não é indeterminada, como era para Anaximandro, mas sim determinada, pois diz que ela é o ar (...).
Como nossa alma, que é ar, nos mantém firmemente unidos, assim o ar e o vento envolvem todo o cosmo.
Para Heráclito (ca. 544-484) a arché é o fogo.
(...) Heráclito de Éfeso também admite um só <princípio> movente e limitado [finito], e como tal, propõe o fogo. Do fogo derivam eles tudo quanto existe, por condensação e rarefação, e tudo resolvem no fogo, supondo que ele é a única natureza substancial (...).
Também Heráclito assevera que o Cosmo, ora se dissolve no fogo, ora renasce do fogo, à medida de certos períodos.
Créditos
BERGE, Damião. O Logos Heraclítico. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1969.
CASERTANO, Giovanni. Os Pré-Socráticos. Trad. Maria da Graça Gomes de Pina. São Paulo, Edições Loyola, 2009.
CHÂTELET, François. História da Filosofia ideias, Doutrinas. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1981.
HIRSCHBERGER, Johannes. História da Filosofia na Antiguidade. Trad.: Alexandre Correia. São Paulo, Editora Herder, 1957.
REVISTA BRASLIERA DE FILOSOFIA VOLS.: 10-14, 1954.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Carta 58 – Do Devir (Heráclito) – Sêneca – 4-65 d.C.
por Osvaldo Duarte
“podemos e não podemos mergulhar duas vezes no mesmo rio”.
Ainda na carta 58, Sêneca, através de Platão, faz uma leitura do fragmento DK49a; onde, Platão não considerava entre os seres dotados de existência própria “o ser” existente, isto é, aquele que é percebido por afecção, pois está num contínuo devir, sofrendo constantemente acréscimos ou mutilações.
O homem na velhice não é idêntico ao que foi na juventude; nem mesmo é, pela manhã, o que foi no dia anterior. Com efeito, nossos corpos fluem com rapidez no tempo como a corrente dos rios.
Não devemos temer a morte, pois cada momento é resultado da morte anterior do nosso corpo. O homem é fraco, efêmero e vive entre coisas vãs, as deseja como se houvesse permanentemente possuí-las, num mundo em que tudo existe para serviço dos sentidos que apetece, aguça e excita a vontade. Essas coisas são imaginárias e mudam de aspecto com o tempo e nada possuem de estável e permanente. Tudo o quanto vemos acompanha o fluir do tempo e não permanece idêntico. Lúcio Aneu nos aconselha:
“Desprezemos, pois, todas as coisas que tão pouco preciosas são a ponto de a sua própria existência ser duvidosa.”
Sêneca nos diz que, enquanto fala sobre as mudanças, ele mesmo já mudou.
“Este é o sentido da frase de Heráclito: “podemos e não podemos mergulhar duas vezes no mesmo rio”. O nome do rio permanece o mesmo, a água, essa já passou adiante. Num rio o fenômeno é mais sensível aos olhos do que num homem, mas não é menos rápido o curso do tempo em nós; por isso me espanta a loucura que nos leva a tanto amarmos essa coisa fugidia que é o corpo, e temer morrermos um dia quando cada momento é a morte do estado imediatamente anterior.”
Créditos:
SÊNECA, L. A., Cartas a Lucílio. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1992.
domingo, 30 de dezembro de 2012
Carta 58 – Do Ser – Sêneca – 4-65 d.C.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Carta 58 – Da indigência vocabular – Sêneca – 4 – 65 d.C.
por Osvaldo Duarte
Sêneca, na carta 58, comenta a indigência vocabular à sua época. Com efeito, como se não bastasse a pobreza vocabular - que seria a falta de um vocábulo adequado, muitas palavras caíram em desuso pelo requinte.
Carta 58 (excerto):
“Até que ponto é grande a nossa pobreza, direi mesmo a nossa indigência vocabular, nunca o tinha compreendido tão bem como hoje. Estávamos falando casualmente de Platão: mil noções se nos depararam carentes, mas desprovidas, de um vocábulo apropriado; em contrapartida há muitas outras que tiveram nome, caído em desuso devido ao nosso gosto requintado. Ora, ter gosto requintado no meio da indigência é algo insuportável.”
Créditos
SÊNECA, L. A., Cartas a Lucílio. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2009.
