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Pansophia

Pansophia

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O pensamento Pitagórico; Os Números

por Leandro Morena

 

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Para Pitágoras (571 a.C.-496 a.C.) e seus discípulos, os números têm uma relevância muito importante para o pensamento filosófico, pois eles foram os primeiros que fizeram a matemática ter uma ascensão. Eles acreditavam que os princípios da matemática seriam os princípios de todas as coisas, e parecem perceber nos números, mais do que no fogo, na terra e no ar, muitas semelhanças com as coisas que existem e as que são geradas. Com esses princípios, os pitagóricos afirmavam que compreendiam a ordem e a unidade do mundo, e o número tornar-se-ia o modelo que dará origem das coisas. O conceito de número no pensamento pitagórico, expressa uma ordem dimensível que permite extinguir a ambigüidade entre significado aritmético e significado espacial.

O significado verdadeiro vai ser demonstrado na figura   tetraktys (tétrada):  

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Essa figura representa o número 10, um triângulo que possui o 4 como lado, pois se observarmos a figura, vemos que a base possui 4, o lado esquerdo da base até o ápice contém 4, e , por sua vez, o lado direito da base ao ápice contém 4.  . O número 10 era visto pelos pitagóricos como algo sacro, pois estava contido nele os quatro elementos: fogo, ar, água e terra, ou seja, 1+2+3+4 = 10.

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O número é a substância das coisas, todas as oposições das coisas se diminuem a oposições entre números. A oposição fundamental das coisas com respeito à ordem dimensível que constitui a sua substância é a de limite e de ilimitado. Com o limite vai tornar a medida possível, e o ilimitado vai excluí-la. A esta oposição corresponde a oposição fundamental dos números pares e ímpares; ímpar corresponde ao limitado e o par ao infinito.Já o número 1 deriva de ambos, ou seja, é considerado par e ímpar ao mesmo tempo. Os pitagóricos afirmam que à oposição do ímpar e do par correspondem a outras nove oposições:

1.      Finito/Infinito;

2.      Ímpar/Par;

3.      Unidade/Quantidade;

4.      Direita/Esquerda;

5.      Macho/Fêmea;

6.      Repouso/Movimento;

7.      Reta/Curva;

8.      Luz/Trevas;

9.      Bem/Mal;

10.  Quadrado/Retângulo;

O limite, ou seja, a ordem vai ser considerada a perfeição. Em suma, tudo que se encontra do mesmo lado, na sequência dos opostos, é definido como o bom, e, por sua vez, o que se encontra do outro lado, é considerado ruim.

A luta travada pelos opostos vai ser conciliada através de um princípio de harmonia, isto é, este último como vinculo dos mesmos opostos, vai compor para eles o sentido último das coisas.

 Créditos/Obras Consultadas:

MONDOLFO, Rodolfo. O pensamento Antigo. Trad. Lívio Teixeira. Ed. Mestre Jou, São Paulo, 1964.

SANTOS, José Trindade. Antes de Sócrates. Gradiva, Lisboa, 1992.

BARNES, Jonathan. Filósofos Pré-Socráticos. Trad. Julio Fischer. Ed. Martins Fontes, São Paulo, 2003.

Pré-Socráticos.Os Pensadores.Traduções:José Cavalcante de Souza e outros. Ed. Abril, São Paulo, 1978.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Uma visão ilusória da Terra – Diálogo Fédon, Platão.

 

 

por Osvaldo Duarte

No diálogo Fédon, Sócrates, na prisão, nos seus últimos instantes de vida, acreditara que a sua alma sobreviveria à morte, pois sempre vivera uma vida digna e santa dedicada à Filosofia. Enfrentou a morte com coragem, confortou e tranquilizou seus discípulos sobre sua partida, pois tinha certeza de que pela sua conduta, viveria ao lado dos deuses. É em meio a este clima que nos narra esse mito que encerra o Fédon:

“Para começar, principiou, fiquei convencido de que se a Terra é de forma esférica e está colocada no meio do céu, para não cair não precisará nem de ar nem de qualquer outra necessidade da mesma natureza (...).”

 

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Lebrun recupera este excerto pouco lido do texto platônico. Nesse recorte o comentador atribui esta falsa percepção espacial à ignorância. Nós vivemos, isto é, habitamos um buraco aqui na Terra, mas não nos damos conta disso. A esta ignorância o professor vai se servir da palavra grega amathía, que significa não uma ignorância qualquer, mas sim, aquela ignorância acrescida de estupidez (nada saber e crer que sabe). A bem da verdade, Lebrun faz uma leitura conjugada ao Mito da Caverna, esse texto apenas complementa a sua análise.

Se nos atentarmos para o texto em questão, veremos que as palavras “indolência e fraqueza” são usadas por Sócrates para explicar o porquê da nossa imaginação. Essa indolência é uma disposição do nosso caráter, pois preferimos as aparências a enxergar o verdadeiro Sol e as estrelas como são na realidade, sequer sabíamos sobre a esfericidade da Terra. A fraqueza é uma debilidade da nossa Alma, que nos permite ser arrastado pelas paixões, preferindo os prazeres do corpo aos deleites da Alma.

Estamos acostumados a viver nessa cratera, a olhar este céu embaçado, essa terra onde as pedras e toda região que nos circunda não são perfeitas, estão corroídas, há cavernas, lamaçal e lodo por todos os lados e, ainda assim nos damos por satisfeitos.

Por não percebermos que habitamos uma dessas concavidades, imaginamos viver na superfície terrestre; falta-nos coragem para subir e contemplar o verdadeiro céu, a verdadeira luz, a verdadeira Terra.

Amantes do corpo, da fama e do dinheiro,  tememos perder tais prazeres. Ousar subir à superfície seria abrir mão das nossas inclinações prazerosas.

A Alma atrelada ao corpo é fraca, e cada vez mais se submete aos apetites corpóreos; enquanto estiver presa, mais dificuldades terá em voar até a superfície. Para que consiga tal proeza terá de ser temperante, numa palavra, desprender do corpo em uma espécie de morte.

“(...) ensina-nos a experiência que, se quisermos alcançar o conhecimento puro de alguma coisa, teremos de separar-nos do corpo e considerar apenas a alma como as coisas são em si mesmas.”

 

Créditos/Obras consultadas:

LEBRUN, G. A Filosofia e sua História, Cosacnaify, 2006.

PLATÃO. Diálogos Vol. IV, Tradução. Carlos. Alberto Nunes. Pará: Univ. Fed. Pará, 1980.

PEREIRA, Isidro. Dicionário Grego-Português e Português Grego. Porto: Ed. Apostolado da Imprensa 1984.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Jeremy Bentham : O princípio da Utilidade


por Leandro Morena

O filósofo Jeremy Bentham (1748-1832) nasceu na Inglaterra. Ele foi filho e neto de advogados, porém, não seguiu a carreira, mas, no entanto, empenhou-se para melhorar o direito. Na filosofia ficou em destaque pelo pensamento utilitarista, embora essa doutrina já tenha dado seus primeiros sinais na Grécia Antiga, Bentham foi quem a trouxe à tona, e no século XIII o utilitarismo foi reconhecido como escola filosófica. 
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A filosofia de Bentham encontra-se no pensamento empirista, isto é, todo conhecimento deve passar às impressões feitas dos nossos sentidos pelos objetos físicos. O filósofo  aplicou ao empirismo à ação humana e à sociedade. 
O princípio utilitarista de Bentham ou o princípio da máxima felicidade, vai estar calcado na teoria do direito natural. Essa teoria consiste em supor a existência de um contrato e afirma que, mesmo que um rei ou príncipe não cumpre suas obrigações para com os súditos, os mesmos devem continuar com a obediência. Bentham foi critico severo disso e afirma que essa teoria é errônea por dois motivos: primeiro porque não tem como comprovar historicamente tal contrato e em segundo, mesmo que comprovasse a existência de um contrato, a pergunta é: por que o homem deve obediência?  O contrato somente seria vantajoso se trouxesse benefícios à sociedade. Bentham afirma que o cidadão pode obedecer ao Estado, se essa obediência vai contribuir para a felicidade geral das pessoas.  O objetivo de Bentham foi substituir a teoria do direito natural pela teoria da utilidade e essa transformação resultaria na substituição de um mundo de ficções para um mundo de fatos, pois somente com a experiência é que se pode provar se uma ação pode ser útil ou não. Por isso o princípio da utilidade de Bentham afirma que o trabalho do legislador é utilizar o conhecimento que se tem da natureza humana que visa, especificamente, criar leis que possibilitem maximizar a felicidade do povo e, por sua vez, minimizar o sofrimento. Há de conseguir o bem estar da maioria da população, mesmo que alguns não atinjam à felicidade, o que está em jogo é a maximização da felicidade para o maior número de pessoas. Evita-se a dor e, por sua vez, alcançasse o prazer. O utilitarismo clássico vai considerar uma ação correta desde que essa ação seja comparada com uma ação alternativa e chegando-se a um resultado positivo, isto é, gerando um aumento igual ou superior de felicidade para um grande número de pessoas, caso isso não ocorra, a ação será considerada totalmente errônea.
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Bentham acrescentou ao utilitarismo o hedonismo (do grego hedonê, prazer ou vontade) um pensamento filosófico que afirma que o prazer e a dor são o sustentáculo da moralidade, levando o prazer a ser o bem supremo da vida. Para Bentham o prazer é tratado como precioso e o mesmo será colocado pelo filósofo acrescentando sete medidas de quantidade:
·         Intensidade;
·         Duração;
·         Certeza ou incerteza;
·         Proximidade ou longinquidade;
·         Fecundidade;
·         Pureza; e,
·         Extensão (o número de pessoas que serão afetados pelo prazer ou pela dor).
Com isso Bentham quer fazer com que o legislador fique atento para que nunca favoreça alguns prazeres em detrimento de outros, o mesmo tende colocar a preferência dos cidadãos para o alcance da felicidade.


O cálculo para medir a soma do prazer ou da dor

Segundo Bentham, para realizar o cálculo dever-se-á iniciá-lo a qualquer um dos cidadãos que os interesses mostram-se ser mais afetados pelo ato, feito isso faz uma análise dos seguintes dados:
Primeiramente pegam-se o valor de cada prazer distinto que se manifesta como produzido pelo ato na primeira instância;
Em segundo insira o valor de cada dor distinta que se manifesta como produzida pelo ato na primeira instância;
Em terceiro acrescenta-se o valor de cada prazer que se manifesta como produzido pelo ato após o primeiro prazer. Com isso tem-se a fecundidade do primeiro prazer e a impureza da primeira dor;
Em quarto acrescenta-se o valor de cada dor que se manifesta como produzida pelo ato após a primeira. Isso vai constituir a fecundidade da primeira dor e a impureza do primeiro prazer.
Com todos esses quesitos, em quinto lugar, somam-se todos os valores de todos os prazeres de um lado, e todos os valores de todas as dores do outro lado. Feito esse balanço que mostrará ou o favoritismo ao prazer, então isso gera um bom ato aos interesses desta pessoa (interesse individual). Caso contrário for favorável à dor, então o ato é ruim.
Em sexto lugar, segundo Bentham,  ter-se-á que fazer uma estimativa do número das pessoas que os interesses surgem em jogo e repete-se o processo acima.  Somam-se os números que demonstram os graus da tendência boa que é essencial ao ato, com respeito a cada um dos indivíduos em relação ao qual a tendência do ato é boa em seu conjunto, e o mesmo se a tendência é má. Depois disso é feito o balanço e, logicamente, se for favorável ao prazer, assinalará a tendência boa geral do ato, em relação ao número total  ou à comunidade. Caso contrário, sendo a dor for favorável, chegamos num resultado negativo, ou seja, uma tendência má para à comunidade, dessa maneira isso não vai ser acatado.
 

“A natureza colocou o gênero humano sob o domínio de dois senhores soberanos: a dor e o prazer. Somente a eles compete apontar o que devemos fazer, bem como determinar o que na realidade faremos...”
Tradução: João Luiz Baraúna      

Ver o artigo nesse blog: O Utilitarismo preferencial de Peter Singer


Créditos/Obras consultadas:
BENTHAM, Jeremy. Os Pensadores. Trad. João Marcos Coelho e Pablo R. Mariconda. Editora Abril, 2º Ed., São Paulo, 1979.
MULGAN, Tim. Utilitarismo. Tradução: Fábio Creder. Editora Vozes, Rio de Janeiro, 2012.
SINGER, Peter. Ética Prática. Tradução: Jefferson Luiz Camargo. Editora

Martins Fontes, São Paulo, 2006.

sábado, 22 de novembro de 2014

O pensamento Pitagórico: Metempsicose ou Transmigração das almas

 

por   Leandro Morena

Um dos pontos centrais do pensamento de Pitágoras (571 a.C.- 496 a.C.) é a teoria da Metempsicose (Μετεμψύχωσις) ou da transmigração das almas. Essa teoria consiste em afirmar que a alma é imortal e quando a pessoa morre a alma, logicamente, deixa o corpo, e, em conseqüência disso, transmigra para outro corpo, e assim, sucessivamente. Se alma atingir à purificação, conseguirá, no sentido ontológico, o auge da libertação, caso contrário, terá que transmigrar até conseguí-la. Esse processo repetir-se-á por várias vezes e a alma do individuo vai transmigrar passando por todas as criaturas do mar e da terra até chegar novamente no homem. Esse “circulo vicioso”, digamos assim, vai passar do corpo do homem e voltará ao próprio homem.

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A ideia da transmigração das almas já existia no Orfismo (ρφικά), uma religião primitiva da Grécia, por volta do século V a.C., que afirmava que as almas humanas são divinas e imortais e com isso, tinham que transmigrarem, e passariam uma vida penosa para adquirir à purificação. Para conseguir à libertação da alma, ter-se-ia que prestar culto ao deus Dionísio (deus da libertação), conseguindo isso, a alma voltava à sua pátria celeste, às estrelas. Isso mostra-nos que o homem é ao mesmo tempo divino e imortal. A teoria da metempsicose fora aceita por Pitágoras que, inseriu-a em seu pensamento, mas o filósofo transformou-a de tal maneira, que mudou a crença de libertação da alma prestando culto a Dionísio, pela matemática, ou seja, passou de um esforço subjetivo e demasiadamente humano, para uma purificação que tende de um trabalho intelectual, e com isso, vai descobrir-se a estrutura numérica das coisas, ou seja, a alma torna-se semelhante ao cosmo (κόσμος), cosmo aqui compreendido como unidade harmônica.

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      Alguns historiógrafos afirmam que Pitágoras e seus discípulos eram vegetarianos, alimentavam-se de favas e alguns vegetais; outros, por sua vez, afirmam que os pitagóricos alimentavam-se de apenas um tipo de carne, a suína, mas há controvérsias quanto a isso. 

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Conta-se que Pitágoras estava caminhando quando se deparou com um cachorro que estava sendo chibatado por um homem. Logo que viu essa cena, Pitágoras repreendeu o homem explicando que o mesmo não podia agredir o animal, simplesmente, pelo fato que se tratava de um amigo do filósofo, amigo esse de uma vida passada. Pitágoras afirmou que reconheceu o amigo pelo som do latido, e que no presente momento estava habitando a forma desse animal. Aqui podemos perceber que a preocupação do filósofo ao ver o cachorro sendo chibatado foi de que uma alma humana habitava aquele corpo. Isso nos remete ao julgamento da importância que o homem adquiriu perante as outras espécies. Nisso chego à conclusão de que a opção de Pitágoras por ser vegetariano e a preocupação dele com o cão, além de ser uma crença a ser seguida, são que as almas humanas habitam corpos de animais; a preocupação em si é o que há de humano. O raciocínio lógico do pensamento pitagórico nessa questão está calcado com base na premissa: alma humana habita um corpo de outra espécie, então, não se pode fazê-los mal, pois são demasiados humanos. E se fossem almas de animais? Certamente não haveria problema em consumi-los, maltratá-los e matá-los? Embora o homem, no pensamento grego antigo, faça parte da Physis, aqui, começou-se a aflorar o fortalecimento do homem como o ser elementar, e não superior, como os medievais o farão, da natureza. O pensamento pitagórico influenciará filósofos posteriores, citando o filósofo Platão (428 a.C.-348 a.C.), pois esse dará continuidade nesse conceito da transmigração das almas, e isso fica evidente na obra: Timeu, ver o artigo nesse blog: O pensamento Platônico acerca da Transmigração das almas.

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Créditos/Obras consultadas:

MONDOLFO, Rodolfo. O pensamento Antigo. Trad. Lívio Teixeira. Ed. Mestre Jou, São Paulo, 1964.

SANTOS, José Trindade. Antes de Sócrates. Gradiva, Lisboa, 1992.

BARNES, Jonathan. Filósofos Pré-Socráticos. Trad. Julio Fischer. Ed. Martins Fontes, São Paulo, 2003.

Pré-Socráticos.Os Pensadores.Traduções:José Cavalcante de Souza e outros. Edi. Abril, São Paulo, 1978.

Dicionário de Mitologia Greco-Romana (2º ed.). Editor: Victor Civita. Abril Cultural, São Paulo, 1976.

VERNANT, J. P. Mito e Religião na Grécia Antiga. Trad.: Joana A. D’avila Melo. Ed. Martins Fontes, São Paulo, 2012.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Morre o filósofo e matemático Patrick Suppes (1922-2014)

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Morreu no último dia 17 de novembro o filósofo e matemático estadunidense Patrick Suppes. Nasceu na cidade de Tulsa situada no estado americano de Oklahoma. Formou-se em filosofia e matemática nas Universidades de Oklahoma e de Chicago, tornando-se professor de teoria da ciência da Universidade de Stanford em 1950, conquistando o título de professor emérito. Suppes contribuiu na filosofia da ciência do século XX e da probabilidade teórica do empirismo. Suas pesquisas foram calcadas sobre os fundamentos da probabilidade , psicologia da aprendizagem, da pedagogia experimental e da mecânica quântica que lhe rendeu vários prêmios internacionais de reconhecimento. Foi membro da Academia Nacional de Ciências e foi presidente da Academia Nacional de Educação. No ano de 1990 recebeu do presidente dos Estados Unidos a Medalha Nacional de Ciência. No ano de 1999 foi condecorado com um diploma honorário da Universidade de Bolonha. Em 2004 ganhou o prêmio  Lauener. Embora Suppes não seja muito conhecido no Brasil, mundialmente é muito reconhecido. Esteve no Brasil, em Florianópolis para um evento em sua homenagem, pois o filósofo conhecia e acompanhava  a produção de filósofos, matemáticos e físicos brasileiros.

Algumas das principais obras de Suppes:

·         Fundamentos de Medição em três volumes, 1971-1990;

·         Metafísica Probabilística;

·         "A linguagem para os seres humanos e robôs";

·          Uma Abordagem Bayesiana  da Racionalidade.

 

 

Fonte:

Guidasicilia

Blog Adonai Sant’Anna

 

sábado, 15 de novembro de 2014

Morre o filósofo Leandro Konder (1936-2014)

 

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por Leandro Morena

Morreu no último dia 12 o filósofo Leandro Konder.  Konder nasceu em Petrópolis, formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. No ano de 1984 tornou-se doutor em Filosofia pela UFRJ. Konder exerceu a profissão de  advogado criminalista e depois de advogado trabalhista. Com o regime militar instaurado em 1964, Konder foi demitido dos sindicatos em que trabalhava. No ano de 1972, foi forçado a deixar o Brasil, foi para a Alemanha e lá trabalhou na Universidade de Bonn, e depois foi morar na França. Atuou como professor na Universidade Federal Fluminense e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Como filósofo, tornou-se um dos maiores especialistas em Karl Marx (1818-1883) e foi grande divulgador do pensamento do filósofo húngaro György Lukács (1885-1971). Retornou ao Brasil no ano de 1978. Em 1984 foi professor no Departamento de História da UFF, cargo que ficou até o ano de 1997. Desde 1985 lecionava no Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Konder sofria de Mal de Parkinson há mais de dez anos. Para quem quer mergulhar no universo marxista, Konder é a melhor referência. O pensamento filosófico brasileiro sofre uma perda irreparável com a morte de Konder.

Algumas obras de Konder:

O que é dialética;

 Flora Tristan;

Marx, vida e obra;

As Idéias Socialistas no Brasil;

Memórias de um intelectual comunista;

Walter Benjamin – O marxismo da melancolia;

O futuro da filosofia da práxis.

Fonte:

Folha UOL

G1

 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O pensamento Platônico acerca da Transmigração das almas


por Leandro Morena
 Durante toda a trajetória da história da filosofia observou-se que muitos sistemas filosóficos preocuparam-se em dar ênfase ao homem. Desde os tempos primordiais, filósofos discutiram e debateram: O que é o homem? De onde veio? Para onde vai? Observou-se também que muitos desses sistemas mostraram a inferioridade para com as outras espécies: animais e vegetais, vistos como seres inferiores. Os escolásticos mostram-nos isso e no pensamento moderno também. Só no Pensamento Contemporâneo  é que essa discussão ganhou maior evidência.
clip_image002Mas nesse artigo eu vou frisar o pensamento do filósofo grego Platão no que diz respeito da Transmigração das almas ou Metempsicose. Essa ideia  já existia no Orfismo e no Pitagorismo, e Platão aceitou-a muito bem. Na sua obra Timeu,  mostram-se passagens que explicam para onde vão as almas que se comportaram de maneira errada durante a vida, depois que morrem. Segundo o filósofo, os homens que nunca filosofaram e nunca compreenderam a natureza do céu por não usarem a inteligência, estes por castigo, desses vícios, na próxima vida habitarão o corpo de animais ferozes (leão, tigre, etc.). O curioso é que o autor explica o porquê que esses animais se locomovem com as quatro patas para o chão. Os membros anteriores e a cabeça (do homem) foram direcionados para o chão, alongou-se o crânio que adquiriu vários formatos conforme a vadiagem que o ser humano fez ao longo da vida. Platão explica que esse tipo de ser humano nasceu com quatro patas ou mais pelo motivo que a divindade fez com que os seres humanos de pouca inteligência tivessem maior base de sustentação para arrastar-se para a terra. O filósofo vai além, afirmando que os seres humanos que foram mais atrasados que os citados acima, por castigo dos deuses, nasceriam sem patas para que se rastejassem com o corpo todo pela terra (cobra, centopéia, entre outros).  Ao afirmar sobre os animais marinhos, Platão radicaliza mais ainda essas espécies, chamando-os de estúpidos e ignorantes. Aos que as almas contaminadas por toda a sorte de faltas nascerão animais cujo habitat é na água, as divindades castigaram-nos, de tal maneira, que esses animais nem são dignos de respirar o ar puro, vivendo a aspirar à água lodosa das profundezas dos oceanos.
Esse pensamento, evidentemente, teve influencia em vários outros pensamentos posteriores ao platonismo.
clip_image004E no século XXI esse pensamento não mudou muito, pois é comum observar na mídia que os animais são usados em frases negativas para determinar um erro que um ser humano comete ou quando a mente humana atinge um grau de violência extrema, e sendo assim compara-o a um animal. Vou citar algumas frases grotescas e especistas que não param de ser usadas na atualidade:
“Esse assassino é um animal, ou é pior que um animal”!
Ser humano de sexo feminino quando comete algum ato errôneo:
Você é uma vaca, ou galinha, ou cadela, ou cachorra, ou piranha, ou vespa, ou cobra, ou serpente entre outros.
Ser humano de sexo masculino:
Você é um cachorro, ou urso, ou rato, ou cobra e serpente, ou cavalo, ou burro, ou asno entre outros.
Frases diversas:
Esse cara é mais assassino que um lobo, ou um leão!
Você cuspe cobras e lagartos para mim!
Você é uma lesma, ou uma besta selvagem!
Você vale menos que um cachorro!
clip_image006A mídia vem à tona ao comparar assassinos, torturadores, sequestradores, estupradores, pedófilos, corruptos, os bandidos que cometem crimes pela internet, entre outros  animais, como se isso fosse algo de factual. Não entendo como hoje em dia a sociedade pode admitir isso: homens que cometem coisas erradas sejam comparados a animais, pois esses homens que cometem erros são apenas seres humanos. Usam-se essas frases especistas para mostrar que a raça humana é perfeita e quando um ser humano ultrapassa a linha do senso comum e age de maneira que não vai de acordo com a lei, não é mais considerado humano, mas sim puro animal.
 No tempo de Platão, foi muito comum pensar que o ser humano tivesse algo de diferente  se comparado as demais espécies, pois nesse tempo não se tinham as informações e as pesquisas que se tem hoje sobre a inteligência animal, mas na sociedade atual, que temos milhares de informações pela internet, é uma obrigação rever esses conceitos e admitir que os homens que cometem coisas erradas são verdadeiramente homens; e cabe a filosofia discutir a ofensa moral que é denegrir a imagem dos animais e deixar para os psicólogos e psiquiatras que entendam os atos errôneos que seres humanos cometem.
Créditos:
PLATÃO. Timeu. Diálogos. Trad. Carlos Alberto Nunes. Universidade Federal do Pará, 1977.

domingo, 19 de outubro de 2014

Giovanni Reale (1931-2014)

por Leandro Morena

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O mundo filosófico perdeu, no último dia 15 de outubro, o filósofo, historiador, tradutor, escritor e professor italiano Giovanni Reale. Reale nasceu na região da Lombardia, Itália, em 1931, e tornou-se doutor em Filosofia pela Universidade Católica do Sagrado Coração de Milão, e foi nessa universidade que ficou como professor emérito. O filósofo tornou-se referência mundial por ter se aprimorado no pensamento grego antigo, principalmente numa nova interpretação do filósofo grego Platão, tornando-se num dos maiores especialistas desse filósofo. Reale criou o Centro Internacional de Pesquisas sobre Platão e as raízes platônicas do pensamento da civilização ocidental. Destaca-se também pela tradução da obra de Aristóteles, discípulo de Platão, Metafísica e diversos livros da História da Filosofia da antiguidade a contemporaneidade.

Algumas obras de Reale traduzidas para a língua portuguesa:

·         História da filosofia grega e romana I - Pré-Socráticos e Orfismo

·         História da filosofia grega e romana II - Sofistas, Sócrates e socráticos menores

·         História da filosofia grega e romana III - Platão

·         História da filosofia grega e romana IV - Aristóteles

·         História da filosofia grega e romana V - Filosofias helenísticas e epicurismo

·         História da filosofia grega e romana VI - Estoicismo, ceticismo e ecletismo

·         História da filosofia grega e romana VII - Renascimento do platonismo e do pitagorismo

·         História da filosofia grega e romana VIII - Plotino e neoplatonismo

·         Metafísica de Aristóteles, volumes 1, 2 e3

·         História da filosofia 7 volumes

Geovanni Reale, com seus 83 anos completos em 15 de abril, seguia na ativa. Um dos seus últimos trabalhos, juntamente com Dario Antiseri, é que estava terminando a correção: o manual de "Cem Anos de Filosofia. De Nietzsche aos Nossos Dias", com previsão de publicação para janeiro de 2015 e com tradução para o espanhol, português, romeno e croata.  

A contribuição de Reale para a filosofia é infinita, pois deixará uma vasta obra intelectual importante para as próximas gerações de pensadores.

Com sua morte Reale eternizou-se na história da humanidade. 

 

Fonte:

UOL Notícias

Paulus Editora

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Sobre a Alma - Demócrito


por Osvaldo Duarte

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Todo Ser é constituído por elementos primeiros indivisíveis - os átomos, esses  são por sua vez, elementos infinitos com formas infinitas e estão em eterno movimento no vazio infinito, ora agregando-se (geração), ora desagregando-se (destruição). Os átomos são substâncias tão pequenas que escapam aos nossos sentidos, mas quando agregam-se entre si, produzem todas as coisas que existem, as quais vemos e percebemos com os demais sentidos. Considerado como uma concepção monista, Alma e corpo tornam-se uma unidade indissolúvel enquanto homem, e não como dicotomia, isto é, como o corpo sendo apenas o receptáculo, prisão da Alma.
Platão nos diz através de Timeu: “que de todos os seres é a alma o único capaz de adquirir inteligência; mas a alma é invisível. (...) O amante da inteligência e do conhecimento deve necessariamente procurar primeiro as causas que pertencem à natureza inteligente (...)”.
Sendo a alma como um princípio dos animais, seu conhecimento está entre as coisas mais belas e, por isso mesmo, que filósofos antes mesmo de Aristóteles se preocuparam com semelhante questão.
Demócrito foi um desses filósofos que explicaram a Alma (Psychê):
“... Demócrito declara que a alma é algo quente ou uma espécie de fogo, pois, havendo infinitos átomos e formatos diz que os de forma esférica são fogo e alma (...)”.
“(...) os de forma esférica são alma. Sobretudo porque tais fluxos podem tudo permear e, por moverem as coisas restantes, que se movem também. Disso supõe que a alma fornece aos animais o movimento. E por isso também o que define o viver é a respiração. Pois, como o ar circundante comprime os corpos, expulsando os formatos que, por nunca repousarem, fornecem aos animais o movimento (...)”.
É bem possível que Demócrito tenha identificado a alma como átomos redondos e lisos pela grande mobilidade dos mesmos, o que os levariam a escapar do corpo com facilidade, coube à respiração a incumbência de retê-los dentro dele por meio de uma corrente de ar e de renová-los constantemente. Ao término dessa missão, os átomos dispersam-se definitivamente (morte). Dado ao calor vital dos membros superiores, e ainda, ao incessante movimento próprio à chama, é que Demócrito tenha estabelecido esses átomos com os do fogo, (Gomperz).
Devemos lembrar que para os gregos, o movimento era compreendido como parte fenômeno da vida, e não se trata aqui apenas o movimento de locomoção, mas de qualquer movimento, assim, toda ação e todo pensar é movimento.
Pelo que observa Aristóteles, para Demócrito, Alma e Intelecto são a mesma cousa, pois, pensar significa perceber as próprias sensações, numa palavra, ter a percepção do sentir, o que seria ter a consciência das mudanças do corpo:
“Leucipo e Demócrito chamas às sensações e aos pensamentos mudanças do corpo... As sensações e o pensamento nascem do chegar das imagens (eidola) do exterior, porque nem essas nem este sobrevêm a alguém sem que cheguem as imagens (Stobeu).”

Créditos/Obras consultadas:
ARISTÓTELES. De Anima. Trad. Maria C. Gomes. São Paulo: Editora 34, 2006.
CASERTANO, G., Os Pré-Socráticos. Trad. Maria da Graça G. Pina. São Paulo: Edições Loyola, 2009.
GOMPERZ, T. História da Filosofia Antiga, Tomo I. Trad. Joé I. C. M. Neto. São Paulo, Ícone Editora, 2011.
HEIDEGGER, M. Platão: O Sofista. Trad. M. A. Casanova. Forense Universitária. Rio de Janeiro, 2012.
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