Pansophia
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
O pensamento Platônico acerca da Transmigração das almas
domingo, 19 de outubro de 2014
Giovanni Reale (1931-2014)
por Leandro Morena
O mundo filosófico perdeu, no último dia 15 de outubro, o filósofo, historiador, tradutor, escritor e professor italiano Giovanni Reale. Reale nasceu na região da Lombardia, Itália, em 1931, e tornou-se doutor em Filosofia pela Universidade Católica do Sagrado Coração de Milão, e foi nessa universidade que ficou como professor emérito. O filósofo tornou-se referência mundial por ter se aprimorado no pensamento grego antigo, principalmente numa nova interpretação do filósofo grego Platão, tornando-se num dos maiores especialistas desse filósofo. Reale criou o Centro Internacional de Pesquisas sobre Platão e as raízes platônicas do pensamento da civilização ocidental. Destaca-se também pela tradução da obra de Aristóteles, discípulo de Platão, Metafísica e diversos livros da História da Filosofia da antiguidade a contemporaneidade.
Algumas obras de Reale traduzidas para a língua portuguesa:
· História da filosofia grega e romana I - Pré-Socráticos e Orfismo
· História da filosofia grega e romana II - Sofistas, Sócrates e socráticos menores
· História da filosofia grega e romana III - Platão
· História da filosofia grega e romana IV - Aristóteles
· História da filosofia grega e romana V - Filosofias helenísticas e epicurismo
· História da filosofia grega e romana VI - Estoicismo, ceticismo e ecletismo
· História da filosofia grega e romana VII - Renascimento do platonismo e do pitagorismo
· História da filosofia grega e romana VIII - Plotino e neoplatonismo
· Metafísica de Aristóteles, volumes 1, 2 e3
· História da filosofia 7 volumes
Geovanni Reale, com seus 83 anos completos em 15 de abril, seguia na ativa. Um dos seus últimos trabalhos, juntamente com Dario Antiseri, é que estava terminando a correção: o manual de "Cem Anos de Filosofia. De Nietzsche aos Nossos Dias", com previsão de publicação para janeiro de 2015 e com tradução para o espanhol, português, romeno e croata.
A contribuição de Reale para a filosofia é infinita, pois deixará uma vasta obra intelectual importante para as próximas gerações de pensadores.
Com sua morte Reale eternizou-se na história da humanidade.
Fonte:
UOL Notícias
Paulus Editora
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Sobre a Alma - Demócrito
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Frege e o nascimento de uma nova lógica
por Leandro Morena
Gottlob Frege (1848-1925) nasceu na cidade de Wismar, Alemanha. O seu trabalho foi voltado para a filosofia da matemática e lógica. Destacou-se como o criador da lógica matemática.
O projeto de Frege consistiu na redução da aritmética à lógica e poderia ser criado em dois objetivos: Primeiro visa definir toda expressão aritmética em termos lógicos com a finalidade de mostrar que toda e qualquer expressão aritmética vai significar o mesmo que uma expressão lógica determinada. Já o segundo objetivo vai depender dos resultados obtidos pelo anterior, se o resultado for positivo, vai mostrar que a proposições lógicas obtidas podem ser deduzidas das leis lógicas imediatamente evidentes.
Para o cumprimento desses objetivos, Frege vai mostrar que a lógica clássica está duplamente insuficiente, pois, em primeiro lugar, ela está incompleta, ou seja, as relações e propriedades aritméticas seriam relações e propriedades lógicas muito mais complexas do que as que a lógica clássica foi capaz de representar. Já a segunda deficiência da lógica clássica é o fato dela de não ser suficientemente formalizada, e com isso ela agrega o contágio da imprecisão da linguagem comum. Com essas deficiências afirmadas por Frege, fez com que ele elaborasse uma nova lógica.
Na obra Conceitografia (publicada em 1879), Frege vai criar uma linguagem formular de pensamento puro, que vai ser imitada na linguagem aritmética. Essa nova lógica vai ser comportada por, uma nova definição de conceito, que conduzirá numa nova maneira de analisar proposições, à ampliação das possibilidades de expressão de propriedades e relações lógicas, e em conseqüência disso, a ampliação das possibilidades de definição de propriedades e relações em geral. Na elaboração da nova lógica, o filósofo inseriu parte da matemática que conhecemos como Teoria dos Conjuntos.
Essa nova lógica vai expressar-se através de uma linguagem simbólica artificial, pois a linguagem comum que a lógica clássica utiliza-se é indevida para explicar com precisão propriedades e relações lógicas, em virtude de sua gramática não se orientar por necessidades humanas citando o exemplo da estética. Uma dedução em linguagem comum inclui lacunas e premissas subentendidas que visam dificultar a importância das conclusões logicamente legítimas. Como afirma Luís Henrique, a conceitografia de Frege, vai ao contrário, pois contém um conjunto bem determinado de regras, dedução e de axiomas lógicos, supostamente claros. Por isso a conceitografia torna-se gramaticalmente impossível construir deduções ilegítimas e toda a ilegitimidade pode ser facilmente verificada com uma precisão segura, visto que, à medida que o conjunto de passagens permitidas é pequeno e as regras que comandam são formais. Com o resultado disso, a dedução torna-se um cálculo, uma série de operações sobre símbolos. Vai ser importante frisar que para Frege, isso é apenas uma solução útil e acidental. Segundo Luís Henrique, para Frege, os sinais de conceitografia têm significado e o conjunto de axiomas e regras é estabelecido de acordo com esse significado. Ocorre apenas que se pode operar com os símbolos como se fossem vazios, graças ao artifício da formalização.
Mas, se a progressão lógica se disser de outro modo, tornar-se-á fequentemente necessário exprimi-la por palavras. Faltam, pois à linguagem de fórmulas de aritmética, expressões para conexões lógicas, e por isso ela não merece o nome de conceitografia em sentido pleno.
Tradução: Luís Henrique dos Santos
Mas a pergunta que fica é quais são as vantagens da lógica do Filósofo Frege comparada à lógica clássica? Segundo Luís Henrique são duas as vantagens da lógica de Frege: a ampliação de seu campo e a formalização. A primeira é fundamental, pois sem a nova teoria do conceito e a incorporação da teoria dos conjuntos, sem esses dois elementos primordiais, jamais seria possível reduzir a aritmética à lógica. No caso da formalização, não pode dizer o mesmo, pois não é indispensável à construção de uma linguagem artificial, bastaria usar a linguagem comum com algumas correções e acrescentamentos que ajuntassem as vantagens da conceitografia. O objetivo de Frege foi à ampliação da lógica, visto que a formalização tornara as coisas mais simples.
CRÉDITOS:
FREGE, Gottlob. Os Pensadores.Tradução: Luís Henrique dos Santos. Editora Abril, São Paulo, 1983.
domingo, 8 de junho de 2014
Schopenhauer e a crítica ao homem
segunda-feira, 21 de abril de 2014
O pensamento do filósofo Francesco Patrizzi
por Leandro Morena
Francesco Patrizzi (1529- 1597) nasceu em Cherso. É considerado um filósofo renascentista neoplatônico, pois suas obras estão calcadas no pensamento platônico. No ano de 1576 começou ensinar filosofia platônica na cidade de Ferrara, e ficou nela até o ano de 1593, pois foi chamado em Roma para continuar com o ensino e a divulgação do platonismo, cidade essa que ficou até falecer.
Das principais obras de Patrizzi, destacam-se duas, a saber: Discussiones Peripateticae e a Philosophia Nova. A Discussiones Peripateticae trata-se de uma obra que vai contra o pensamento aristotélico, pois Patrizzi considera esse pensamento um inimigo da fé religiosa, pois para ele o aristotelismo vai negar omnipotência divina e o governo divino, esse pensamento é uma heresia para a ideologia do cristianismo.
Patrizzi vai criticar fortemente os escolásticos, afirmando que estes não são verdadeiros filósofos pelo fato que apenas reformularam a filosofia aristotélica, sem preocuparem-se de conhecer as coisas tal como são; crítica essa que vai estender-se, principalmente, para o pensamento de Tomás de Aquino (1225-1274), pois este levou à tona o pensamento aristotélico. Em suma, Patrizzi vai empenhar-se para destruir a filosofia de Aristóteles. Na segunda obra Philosophia Nova, o filósofo vai focar o seu objetivo para a reconstrução de uma filosofia platônica que vai servir de alicerce à fé cristã. Ele vai trilhar o caminho a renovação e defesa do cristianismo através do retorno às doutrinas e crenças orientais: pitagóricas e platônicas. Dedicou essa obra ao Papa Gregório XIV (1535-1591) com o intuito do mesmo decretar que em todas as escolas cristãs fosse ensinada a sua filosofia. Ele pensava que com essa ação ocorreria uma transformação na sociedade e a volta dos protestantes na fé cristã.
A obra Philosophia Nova vai dividir-se em quatro partes:
1. A panaugia ou doutrina da luz;
2. A panarchia ou doutrina do primeiro princípio de todas as coisas;
3. A panpsichia ou doutrina da alma, e;
4. Pancosmia ou doutrina do mundo.
Segundo Abbagnano, Patrizzi vai afirmar como primeiro princípio o Uno, e este, por sua vez, é a causa primeira, absoluta e incondicionada e é qualificado como o bem. Do Uno distingue-se a unidade, que é gerada a partir dele, e a unidade os outros graus do ser até aos menos perfeitos: a sabedoria, a vida, o intelecto, a alma, a natureza, a qualidade, a forma e o corpo; esse conjunto destas nove ordens da realidade é que constitui o universo todo. Para Patrizzi, o conhecimento humano é um ato de amor que tende voltar à unidade original, suprimindo a separação entre os elementos do ser, isto é, a união com o objeto cognoscível e incide no ato de amor pelo qual o homem tende para o objeto, buscando abolir a distância que o afasta deste último. A pergunta é: como identificar o intelecto cognoscitivo com o objeto? Isso só é possível com base numa identidade de natureza entre sujeito e objeto. Se o sujeito é alma e vida, consequentemente, o objeto também é alma e vida. O filósofo vai defender fortemente a animação universal das coisas, ou seja, o pampsiquismo que é o único princípio adequado a explicar a sua ligação no mundo, a atração que as conecta até formarem o todo e torná-las entráveis ao intelecto humano.
Créditos:
ABBAGNANO, Nicola. História da filosofia vol. V, 2º Ed. Tradução: Nuno Valadas e Antônio Ramos Rosa. Editorial Presença, Lisboa, 1978.