por Osvaldo Duarte
Dialogar com os antigos é por si mesmo, uma tarefa árdua. Mesmo sendo herdeiros da cultura ocidental, ao debruçarmos sobre uma boa tradução de algum texto grego, a dificuldade que se impõe de imediato é capturar o frescor do seu espírito. Por espírito pretendemos dizer o que cada palavra traduzida conserva do seu significado original ou o próprio texto como um todo. Oxalá pudéssemos ler todos os textos gregos no seu original; diante de tal impossibilidade, contamos com o excelente trabalho de tradução dos textos diretamente do grego de alguns estudiosos.
Num dos exemplares da Revista Brasileira de Filosofia, o professor Eudoro de Sousa, escreveu um artigo sobre a importância das obras serem lidas em grego ou em nossa língua, assim comentou o mestre:
“Aliás, as obras dos filósofos gregos têm de ser lidas por nós, em grego ou em português, porque, in nuce, o idioma é cultura vivente. Não o ignoram os povos que mais ativamente contribuíram para a formação e desenvolvimento da chamada civilização ocidental; e, por isso, não desdenharam muitos dos seus mais ilustres representantes, do ingrato mister de traduzir os “clássicos” da filosofia. Se, por conseguinte, alguma razão nos assiste, a nós, portugueses e brasileiros, para não renunciar ao papel que por ventura nos foi distribuído neste drama da cultura, cujo prólogo, ou ato primeiro, há mais de vinte sáculos subiu à cena no tablado grego, - tenhamo-lo por certo: não é um texto intermediário, francês, inglês, italiano ou alemão, que os escritos dos grandes pensadores da Hélade deverão ser lidos em nossas escolas.”
Créditos:
Revista Brasileira de Filosofia, Vol. IV – Instituto Brasileiro de Filosofia - SP-1954.
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