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Pansophia

Pansophia

domingo, 28 de outubro de 2012

Da Harmonia - Heráclito – 530/20-470/60 a.C.

 

por Osvaldo Duarte

 

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8. Aquilo que se obsta conduz à concordância, e das tendências contrárias provém a mais bela harmonia.

51. Não compreendem como o discorde concorda consigo mesmo: harmonia, reciprocamente tensa, como a do arco e da lira.

54. A harmonia invisível é superior à visível.

80. É preciso saber que Pólemos [a guerra] é comum, e que Dike [o direito*] é Eris [a luta ou discórdia], e que tudo acontece segundo Dike e Chreó [a necessidade].

 

Na obra O Banquete, na fala de Erixímaco (médico), Platão nos ajuda a compreender como a unidade opondo-se a si mesma, produz a harmonia:

“O que ele (Heráclito **), talvez quisesse significar é que a harmonia é formada de notas inicialmente discordantes, agudas e graves, porém deixadas de acordo pela arte da música. Não se concebe que possa surgir harmonia de agudos e graves que continuem a opor-se. Quem diz harmonia, diz consonância, e consonância é uma espécie de acordo, não sendo possível haver combinação de opostos, enquanto se mantêm como tais. De jeito nenhum pode haver harmonia de elementos opostos que não se combinem. A mesma coisa se dá com o ritmo, que provém do rápido e do lento, inicialmente opostos, mas que acabam por ficar de acordo.”

 

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Damião Berge nos faz recordar que tanto o arco como a lira são objetos sagrados, de Ártemis (o arco), e de Apolo (a lira), sendo que na função própria de cada um é que se revela o ser harmonioso; e ainda, a tensão se dá quando são retirados do seu estado habitual, isto é, da sua quietude primitiva.

Esta tensão dos opostos que gera a harmonia, segundo Casertano, encontra-se em todos os aspectos da realidade.

A harmonia significava desde Homero, uma liga, um vínculo que prende em unidade.  Para Heráclito, harmonia significa o equilíbrio, a concórdia.

 

* Costuma-se traduzir por Justiça.

** Grifo nosso.

 

Créditos

BERGE, Damião. O Logos Heraclítico. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1969.

CASERTANO, Giovanni. Os Pré-Socráticos. Trad. Maria da Graça Gomes de Pina. São Paulo, Edições Loyola, 2009.

PLATÃO. Diálogos, O Banquete,, vol. IV. Trad. Carlos Alberto Nunes. Pará: Universidade Federal do Pará, 1980.

 

 

 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Lobisomem pós-moderno

 

Veio a lume pela editora da gente mais uma obra do poeta Adenildo Lima, desta vez em parceria, se assim podemos dizer, com o poeta Márcio Ahimsa. Trata-se do Lobisomem pós-moderno, a orelha foi escrita pelo filósofo e escritor (contista) Ivanildo de Lima.

No Lobisomem pós-moderno encontramos registros esparsos da vida dos autores que, segundo os mesmos, são poemas livres, soltos, que falam por si.

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Aquisição de exemplares:

http://www.editoradagente.com.br/index.html

atendimento@editoradagente.com.br

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Alma e Corpo - Platão – 427-347 a.C.

por Osvaldo Duarte   moa espelho picasso
Considerando a correção dos nomes, Alma (psychê), é a causa da vida do corpo quando nele está presente, conferindo-lhe a faculdade, o poder de respirar refrescando-a (anapsychô); quando este poder, esta força de refrigeração abandona o corpo, ele perece, chega ao fim, morre. Outra definição, Alma é a natureza do corpo enquanto este vive, circula, se movimenta.
Ainda na correção dos nomes, podemos definir corpo (soma), como túmulo, sepultura da alma. Com efeito, a alma encontra-se enterrada, aprisionada no corpo. É através do corpo que alma se redime das faltas cometidas; o corpo é, pois, receptáculo,  prisão onde a alma é castigada pelos seus erros.
De todos os seres engendrados, a Alma é mais antiga e divina; por ser superior ao corpo, compete a Alma ser boa, justa, temperante e forte, semelhante aos deuses. Sendo imortal, a Alma prestará contas a outras divindades.
A Alma é de todo diferente do corpo; enquanto vivemos é a alma que nos define.
Cabe à alma comandar o corpo, pois, enquanto a alma possui inteligência o corpo carece de entendimento.
O Corpo é um simulacro, a imagem da alma; cabe ao corpo obedecer a alma.
 
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Quando a alma e o corpo se unem, engendram forma única a qual chamamos de animal.
 
  Créditos
PLATÃO. Leis, vol. XII-XIII. Trad. Carlos Alberto Nunes. Pará, Universidade Federal do Pará, 1980.
PLATÃO. Diálogos, vol.I X.. Trad. Carlos Alberto Nunes. Pará, Universidade Federal do Pará, 1973.
PLATÃO. Crátilo. Trad. Maria José Figueiredo. Lisboa, Instituto Piaget, 2001.














domingo, 5 de agosto de 2012

Deus é a medida de todas as coisas - Platão – 427-347 a.C

por Osvaldo Duarte
 
Nas Leis, Platão retoma a velha questão de Protágoras, de que o homem é a medida de todas as coisas. Se no Crátilo Platão encontra-se na aporia, nas Leis caminha pela via da religiosidade.

Crátilo
(...) como ensinava Protágoras, dizendo que “o homem é a medida de todas as coisas” – ou seja, que todas as coisas são para mim tal como me aparecem, e que são para ti tal como te aparecem...
E o que te parece o seguinte? Os muito nobres são muito razoáveis, e os muito vis, muito desrazoáveis?
Nesse caso, parece-me que és inteiramente da seguinte opinião: que, existindo razoabilidade e a desrazoabilidade, é de todo impossível que Protágoras diga a verdade; porque, na verdade, um homem nada poderia ser mais razoável do que outro, se aquilo que cada um opina fosse a verdade para esse.
Assim sendo, se Protágoras diz a verdade e a verdade é essa – que as coisas são para cada um como lhe parecem -, alguns de nós serão razoáveis e outro desrazoáveis?
Então, se nem todas as coisas são da mesma maneira para todos, simultaneamente e para sempre, nem cada coisa é para cada um em particular, é evidente que as coisas têm uma certa entidade estável...

Leis
Qual é, pois, o comportamento agradável ao deus e digno de seus seguidores? Só há um, claramente expresso num antigo ditado: o semelhante agrada ao semelhante sempre que observa a medida, o que não acontece com os descompassados, que nem estimam reciprocamente nem apreciam os comedidos. Para nós, deus é a medida de todas as coisas, não o homem, como se diz comumente, seja este quem for. Assim para ficar amado de deus, terá necessariamente de tornar-se semelhante a ele, na medida das suas possibilidades. De acordo com esse princípio, o que entre nós for temperante será amigo de deus, por assemelhar-se-lhe, enquanto o intemperante, que não se lhe assemelha, é injusto e diferente dele, e assim com tudo o mais, segundo o mesmo raciocínio.
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Está em deus o poder do começo, meio e o fim de tudo que o existe, marchando sempre em linha reta tem no seu rastro a justiça. O homem que desviar-se da lei divina receberá o castigo, mas o homem que a seguir de perto, i.e. o homem virtuoso, será feliz.
Com efeito, ao afastar-se da retidão, o homem abandonado por deus, procurará a companhia de outros que lhes sejam iguais, desprezando os comedidos, provocando confusão e, em pouco tempo prestará contas à justiça, arruinando a sua casa e toda a cidade. O intemperante, o injusto não é amigo de deus.
O homem virtuoso oferecerá sacrifícios aos deuses e estará sempre em ralação com eles através de preces e oferendas e todo o culto divino e, na medida do possível será semelhante a deus e seu amigo.
 
Créditos
PLATÃO. Leis, vol. XII-XIII. Trad. Carlos Alberto Nunes. Pará, Universidade Federal do Pará, 1980.
PLATÃO. Crátilo. Trad. Maria José Figueiredo. Lisboa, Instituto Piaget, 2001.















domingo, 29 de julho de 2012

Prazer e Dor, O Fio de Ouro - Platão – 427-347 a.C.

por Osvaldo Duarte
Há uma lenda de que poucos haviam lido integralmente a mais extensa e inacabada obra de Platão, as Leis. Esta obra foi escrita provavelmente entre 360 e 347, ano da morte do autor, por isso mesmo inacabada. Sócrates não participa do texto Leis, que é uma conversa travada entre o ateniense e seus companheiros de viagem, cretense e lacedemônio.
 
prazer e dor
Prazer e dor
Segundo Platão, todo homem abriga dentro de si dois conselheiros insensatos e antagônicos, o prazer e a dor, juntando a estes tem a opinião sobre os casos futuros a qual chamamos de expectativa que, quando da possibilidade de dor denominamos medo, ou o seu contrário prazer, confiança. Sobre estas paixões preside a razão que tem por finalidade pronunciar-se acerca do que tem de boa ou de má, cuja conclusão é a lei, quando se torna decreto comum da cidade. É na infância que o prazer e a dor surgem como primeiras percepções, sendo por seu intermédio que se apresentam inicialmente ao espírito como verdade ou vício; cabe à educação preparar cidadãos virtuosos, capazes de comandar e de obedecer.
Quando o prazer e a amizade, a tristeza e o ódio se geram diretamente em almas ainda incapazes de compreender a sua verdadeira natureza, com o advento da razão põem-se em harmonia com ela, graças aos bons hábitos adquiridos. É nesse acordo que consiste a virtude.
(...) os prazeres e as dores se harmonizam com o raciocínio justo e lhe obedecem.
marionete
O fio de ouro
(...) imaginemos que cada um de nós, como seres vivos, não passe de um boneco nas mãos dos deuses, que talvez nos tenham formado por divertimento, ou mesmo com intenção séria, o que escapa à nossa compreensão. Uma coisa, porém, sabemos com segurança: que no nosso íntimo as referidas paixões se agitam à maneira de nervos ou fios, que puxam em sentido contrário, compelindo-nos por isso mesmo, à prática de ações opostas, na linha limítrofe do vício de da virtude. Manda-nos a razão só ceder à tração de um desses fios, sem nunca abandoná-lo, e resistir aos outros. É o fio sagrado e de ouro da razão, que denominamos lei comum da cidade. Os demais fios são de ferro, são duros; este é maleável, porque de ouro, ao passo que os outros se parecem com as mais diferentes substâncias. É preciso que todos cooperem sempre no sentido da mais bela direção, a da lei.
 
Créditos
PLATÃO. Leis, vol. XII-XIII. Trad. Carlos Alberto Nunes. Pará: Universidade Federal do Pará, 1980.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Da Educação - Platão – 427-347 a.C.

 

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”Quando censuramos ou elogiamos a educação de alguém do nosso meio, dizemos que este ou aquele indivíduo é bem o mal educado, ainda mesmo que tenham recebido educação esmerada para a arte de navegação, o comércio por miúdo ou para outras atividades do mesmo teor. Segundo penso, não é nesse sentido que falamos de educação, mas no da educação para a virtude, que vem desde a infância e nos desperta o anelo e o gosto de nos tornarmos cidadãos perfeitos, tão capazes de comandar como de obedecer, de conformidade com os ditames da justiça. Essa é a modalidade de educação que tentamos definir, a única, segundo o meu modo de pensar, que merece ser assim denominada. A que tem por fim a aquisição de riquezas ou de qualquer modo de força ou habilidade que não leve em consideração a razão e a justiça, é vulgar e nada de nobre e não merece absolutamente o nome de educação. (...) o indivíduo bem educado se torna virtuoso, e que de forma alguma devemos menosprezar a educação, por ser o que de melhor e mais elevado chegam a alcançar os homens superiores.”

 

Créditos

PLATÃO. Leis, vol. XII-XIII. Trad. Carlos Alberto Nunes. Pará: Universidade Federal do Pará, 1980.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Voo controlado – Monchrétien – 1575-1621

 
por Osvaldo Duarte
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“A melhor influência que se pode ter sobre os homens, é conhecer-lhes as inclinações, os movimentos, as paixões e os hábitos; tomá-los pelas asas é poder levá-los onde se quiser.”
                                                                                               Tratado de Economia Política
Créditos
CAILLÉ, Alain. História Crítica da Filosofia Moral e Política. Lisboa, Verbo.2005.

domingo, 24 de junho de 2012

Do prazer e do sofrimento – Aristóteles – Séc. 384-322 a.C.

por Osvaldo Duarte

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Para Aristóteles, a alma procura por certa disposição natural a relacionar-se com situações que a tornam melhor ou pior, sendo que as disposições éticas são dadas pelo prazer e pelo sofrimento que acompanham as nossas ações, portanto, a excelência ética constitui-se em vista do prazer e do sofrimento, sendo uma disposição intermédia entre outras duas disposições extremas, a saber, perversas e a outra segundo o defeito. E ainda, segundo o Estagirita, tendemos naturalmente mais para as coisas que nos dão prazer, o que nos leva mais facilmente à devassidão do que para o regramento. Os castigos que infligem sofrimentos são como uma espécie de curativos que podem transformar a disposição da alma.

“... como diz Platão, a fazer gosto no que deve ser e sentir desgosto, pelo que não deve ser. Essa é a educação correta. (...) o prazer e sofrimento acompanham toda a afecção e toda ação.

Há três possibilidades relativamente às quais se definem as escolhas do que devemos perseguir e do que devemos preterir e evitar. Devemos escolher o belo, o vantajoso e o agradável; devemos, por outro lado, evitar os seus contrários, isto é, o feio, o nocivo, o desagradável. (...) o homem de bem é capaz de escolher corretamente e o perverso erradamente, sobretudo a respeito do prazer: na verdade o prazer é também comum aos animais e acompanha todas as possibilidades de escolha; tanto o belo como o vantajoso parecem ser agradáveis.

Será um homem de bem quem fizer o bom uso deles; mas já quem fizer o mau uso deles será perverso”.

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Sendo a excelência ética uma disposição intermédia entre as disposições extremas como dissemos, não é tarefa fácil atingi-la, teremos de agir de acordo com as circunstâncias, isto é, conforme a situação apresentada; é por isso, nos diz Aristóteles, que o bem é raro, louvável e belo.

Com efeito, se encontrar o meio não é empresa fácil, pois, dos extremos, um é mais errado do que o outro, assim, deve escolher o menor dos males, i.e., dada a nossa tendência natural para as coisas diferentes o que é reconhecido a partir do prazer e do sofrimento que nos causam, amiúde, devemos examinar a que erros somos mais facilmente levados e nos esforçamos em seguir na direção contrária, procurando arrastarmos para fora do erro para chegar ao meio; assim, continua o Estagirita, temos de evitar também, o que é agradável e o prazer, porque quando o prazer está em julgamento, é difícil ser juiz imparcial. Outra dificuldade é estabelecer o limite do censurável de nossas ações, porque nenhum objeto da percepção é facilmente determinado.

Sendo o caminho do meio o mais louvável, o que temos de fazer diante das situações que se apresentam é agirmos de tal maneira a evitar os excessos, outras, o defeito: essa é a maneira mais fácil de conseguirmos atingir o meio e modo correto de agir.

Créditos

ARISTÓTELES. Ética a Nicómano. Trad. António de Castro Caeiro. Lisboa, Quetzal Editores, 2012.

sábado, 26 de maio de 2012

O sono de um sábio – Epimênides – Séc. VII a.C.

por Osvaldo Duarte

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Epimênides o sábio, é uma personagem um tanto curiosa, nasceu em Cnossos no séc. VII, usava cabelos longos, o que era estranho aos costumes local. Certa feita, seu pai mandou-o ao campo em busca de uma ovelha desgarrada, mas desviando-se do caminho foi dormir em uma caverna onde teria ficado adormecido durante 57 anos. Ao despertar do longo sono, saiu em busca da ovelha, pois acreditava que estivera dormindo por pouco tempo. Epimênides viveu 157 anos; sua obra ao que tudo indica, foi escrita em versos com conteúdo cosmogônico, mitológico e político. O velho sábio é considerado também profeta, um purificador de almas, sua adivinhação não era tanto desvendar o futuro, mas descobrir no passado os erros que afetavam o presente.

(...) disse Epimênides cretense: de fato, ele vaticinava não acerca do futuro, mas sim acerca das coisas já acontecidas, mas obscuras.

Para Casertano, Epimênides é figura de transição entre a cultura sapiencial e a nova cultura filosófica, isto é, figura que se interpõe entre a fase mítica e a fase filosófica da cultura grega. Seu longo sono é relacionado à letargia, uma prática para obter sonhos divinatórios, quer seja dos mortos como também  dos deuses, ao acordar, o escolhido é capaz de revelar fatos passados ou futuros.

Quando uma terrível peste abateu Atenas, nosso sábio foi chamado para purificá-la, o que para Casertano fora por motivo político dada às reformas implementadas por Sólon, sendo que na época era comum mesclar política e religião.

Epimenides

 

Segundo a tradição, Epimênides recebeu das ninfas um alimento mágico que conservava num casco de boi, desde então, nunca fora visto comendo, portanto, nunca defecava. Outros diziam que ele recebera de Hesíodo algumas sementes que tinha o poder de matar a fome.

Contra o mito

há um mito segundo o qual águias e cisnes, levados das extremidades da terra ao centro dela, para ali desciam, para Delfos, até o chamado “umbigo da terra”. Em seguida Epimênides de Festos, ao investigar/refutar o mito junto do oráculo do deus, e recebendo uma resposta obscura e ambígua, assim escreveu: “Nem na terra nem no mar há no meio um umbigo; e mesmo que haja é evidente aos deuses, mas está escondido aos mortais”.

O paradoxo do mentiroso

“Se tu afirmas mentir e dizes que isso é verdade, mentes ou dizes a verdade?”

Créditos

CASERTANO, Giovanni. Os Pré-Socráticos. Trad. Maria da Graça Gomes de Pina. São Paulo, Edições Loyola, 2009.

CORNFORD, F.M.. Principium Sapientiae. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1952.

LAÊRTIOS, D.. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. Tradução: Mário da Gama Kury. Brasília, Editora da UnB, 2008.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Homem como Medida - PROTÁGORAS (Séc. V a.C.)

por Osvaldo Duarte

 

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O homem é a medida de todas as coisas, das que são, enquanto existem, e das que não são, enquanto não existem.

Trad. M.H.R.P

O frg. I Diels-Kranz é peça fulcral para a compreensão do pensamento do sofista de Abdera. Com efeito, a hermenêutica tem se mostrado abundante, haja vista as inúmeras bibliografias consagradas ao tema. M.J. V. PINTO apresenta o que seria o consenso quanto ao conteúdo doutrinal do fragmento:

“Cada homem é medida da realidade das coisas (objetos, fatos, sentimentos, etc.) tal como se lhes apresentam, e daí resulta que todas as suas representações são igualmente verdadeiras enquanto se baseiam na captação imediata das aparências”.

“(...) o homem é “medida” das coisas com as quais se relaciona de forma imediata através da percepção fenomênica, sem que se possa separar “pensamento” e “sensação”. (...) o que se discute não é propriamente a existência ou não existência das coisas, mas sim o modo como se relacionam com o homem...”.

 

Alguns comentários:

 

Hérmias – Escárnio dos filósofos pagãos

Mas aí está agora Protágoras, puxando-me para outro lado, quando diz: “O limite e o critério das coisas é o homem; o que lhe cai sob os sentidos são coisas, e o que não cai não se encontra entre as espécies de essência”.

Sexto Empírico – Contra os Matemáticos

Alguns incluíram também Protágoras de Abdera no grupo dos filósofos que aboliram o critério, porque afirma que todas as aparências e todas as opiniões são verdadeiras e que a verdade é algo de relativo, pois que tudo o que é aparência ou opinião para um indivíduo existe desde logo para ele.

 

Créditos

PINTO, Maria José Vaz. A Doutrina do Logos na Sofística, Lisboa, Edições Colibri, 2000.

PEREIRA, Maria H. R. Hélade Antologia da Cultura Grega, Lisboa: Guimarães Editores SA, 2009.

PADRES APOLOGISTAS, Tr. I. Storniolo e E. M. Blancin. Patrística, São Paulo, Paulus, 2005.

SOFISTAS. Testemunhos e Fragmentos. Tradução: Ana Alexandre Alves de Sousa e Maria José Vaz Pinto. Lisboa, INCM, 2005.