por Leandro Morena
Pansophia
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Os órgãos dos sentidos segundo o filósofo Alcmeão
por Leandro Morena
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Crítica à vivissecção - Parte I
GREIF, Sérgio e TRÉZ, Thales. A Verdadeira face da experimentação animal. Editora Fala Bicho, Rio de Janeiro, 2000;
SINGER, Peter. Libertação Animal. Trad. Marly Winckler. Editora Lugano, São Paulo, 2008;
VOLTAIRE. Dicionário Filosófico Voltaire. Trad. Líbero Rangel de Tarso. Atenas Editora, São Paulo, 1937.
Foto 1: http://pt.wikipedia.org/wiki/Voltaire
Foto 2 : http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-59702010000300002&script=sci_arttext
Foto 3 : http://www.midiaindependente.org/pt/red/2005/07/321897
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Da Arché ou do Elemento Primordial
por Osvaldo Duarte
Apresentamos de relance alguns fragmentos dos primeiros filósofos jônios que trataram da Arché (começo, ponto de partida) e também os fragmentos de Heráclito. Omitimos os dados biográficos porque pretendemos tão-somente mostrar alguns preciosos fragmentos sobre o tema. Optamos, por uma questão de praticidade, a tradução dos fragmentos de Eudoro de Sousa.
Segundo a tradição, a Filosofia “começa” com a Escola Jônica, embora o termo “escola” enquanto moderno, para alguns estudiosos não parece ser adequado, no entanto, estão de acordo quanto ao berço da Filosofia: a Jônia, nas costas da Ásia Menor, a primeira região de civilização helênica.
Os primeiros filósofos: Tales, Anaximandro e Anaxímenes, tinham como objeto de estudo a physis (Natureza), por este motivo serem conhecidos também como fisiólogos (os que estudam a natureza).
O primeiro filósofo e fisiólogo, Tales de Mileto (ca. 624-546), foi considerado por Aristóteles como “o príncipe da Filosofia”; como filósofo procurava o saber desinteressado e, considerava como substrato original, isto é, como princípio de tudo, a água.
Tales, (...), afirma que o princípio é a água (assim, declarava ele que a Terra flutua na água) crença a que ele teria sido levado pela observação de que tudo se nutre do <elemento> úmido e que o próprio calor dele provém e nele vive (...).
Tales de Mileto, filho de Examias, e Hípon (que, parece, era ateu) induzidos pelas aparências sensíveis, asseveravam que a água é o princípio.
Anaximandro (ca.610-545), que nos legou o primeiro escrito filosófico do ocidente – Sobre a Natureza, admitia um princípio universal, entretanto, se opondo a Tales, considerava como arché o ápeiron (não limitado, indefinido) que é um todo e nunca muda e são também infinitos em número, imortal e imperecível.
[O ápeiron (infinito, ilimitado) é princípio primordial (arché)] Dos que admitem um só princípio do movimento, infinito, A., filho de Praxíades, de Mileto, discípulo de Tales, diz que o infinito é o elemento e princípio primordial, tendo sido ele o primeiro que introduziu a palavra <arché>. E afirma que não é a água ou qualquer outro dos que nós denominamos “elementos”, mas certa natureza infinita, diferente, da qual haveriam nascido todos os céus e todos os cosmos neles contidos.
De certa natureza infinita nasceu o céu e os cosmos nele contido. Sem tempo e sem idade.
Anaxímenes (ca.585-528) foi discípulo de Anaximandro e considerava o ar como arché. O ar é a força vital, a divindade que anima.
Anaxímenes (...) discípulo de Anaximandro, também admite só uma substância, que – tal como seu mestre, declara infinita. Mas <a substância> não é indeterminada, como era para Anaximandro, mas sim determinada, pois diz que ela é o ar (...).
Como nossa alma, que é ar, nos mantém firmemente unidos, assim o ar e o vento envolvem todo o cosmo.
Para Heráclito (ca. 544-484) a arché é o fogo.
(...) Heráclito de Éfeso também admite um só <princípio> movente e limitado [finito], e como tal, propõe o fogo. Do fogo derivam eles tudo quanto existe, por condensação e rarefação, e tudo resolvem no fogo, supondo que ele é a única natureza substancial (...).
Também Heráclito assevera que o Cosmo, ora se dissolve no fogo, ora renasce do fogo, à medida de certos períodos.
Créditos
BERGE, Damião. O Logos Heraclítico. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1969.
CASERTANO, Giovanni. Os Pré-Socráticos. Trad. Maria da Graça Gomes de Pina. São Paulo, Edições Loyola, 2009.
CHÂTELET, François. História da Filosofia ideias, Doutrinas. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1981.
HIRSCHBERGER, Johannes. História da Filosofia na Antiguidade. Trad.: Alexandre Correia. São Paulo, Editora Herder, 1957.
REVISTA BRASLIERA DE FILOSOFIA VOLS.: 10-14, 1954.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Carta 58 – Do Devir (Heráclito) – Sêneca – 4-65 d.C.
por Osvaldo Duarte
“podemos e não podemos mergulhar duas vezes no mesmo rio”.
Ainda na carta 58, Sêneca, através de Platão, faz uma leitura do fragmento DK49a; onde, Platão não considerava entre os seres dotados de existência própria “o ser” existente, isto é, aquele que é percebido por afecção, pois está num contínuo devir, sofrendo constantemente acréscimos ou mutilações.
O homem na velhice não é idêntico ao que foi na juventude; nem mesmo é, pela manhã, o que foi no dia anterior. Com efeito, nossos corpos fluem com rapidez no tempo como a corrente dos rios.
Não devemos temer a morte, pois cada momento é resultado da morte anterior do nosso corpo. O homem é fraco, efêmero e vive entre coisas vãs, as deseja como se houvesse permanentemente possuí-las, num mundo em que tudo existe para serviço dos sentidos que apetece, aguça e excita a vontade. Essas coisas são imaginárias e mudam de aspecto com o tempo e nada possuem de estável e permanente. Tudo o quanto vemos acompanha o fluir do tempo e não permanece idêntico. Lúcio Aneu nos aconselha:
“Desprezemos, pois, todas as coisas que tão pouco preciosas são a ponto de a sua própria existência ser duvidosa.”
Sêneca nos diz que, enquanto fala sobre as mudanças, ele mesmo já mudou.
“Este é o sentido da frase de Heráclito: “podemos e não podemos mergulhar duas vezes no mesmo rio”. O nome do rio permanece o mesmo, a água, essa já passou adiante. Num rio o fenômeno é mais sensível aos olhos do que num homem, mas não é menos rápido o curso do tempo em nós; por isso me espanta a loucura que nos leva a tanto amarmos essa coisa fugidia que é o corpo, e temer morrermos um dia quando cada momento é a morte do estado imediatamente anterior.”
Créditos:
SÊNECA, L. A., Cartas a Lucílio. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1992.
domingo, 30 de dezembro de 2012
Carta 58 – Do Ser – Sêneca – 4-65 d.C.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Carta 58 – Da indigência vocabular – Sêneca – 4 – 65 d.C.
por Osvaldo Duarte
Sêneca, na carta 58, comenta a indigência vocabular à sua época. Com efeito, como se não bastasse a pobreza vocabular - que seria a falta de um vocábulo adequado, muitas palavras caíram em desuso pelo requinte.
Carta 58 (excerto):
“Até que ponto é grande a nossa pobreza, direi mesmo a nossa indigência vocabular, nunca o tinha compreendido tão bem como hoje. Estávamos falando casualmente de Platão: mil noções se nos depararam carentes, mas desprovidas, de um vocábulo apropriado; em contrapartida há muitas outras que tiveram nome, caído em desuso devido ao nosso gosto requintado. Ora, ter gosto requintado no meio da indigência é algo insuportável.”
Créditos
SÊNECA, L. A., Cartas a Lucílio. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2009.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Fontes da História da Filosofia – Eudoro de Sousa - 1911-1987
domingo, 9 de dezembro de 2012
Montaigne contra a crueldade para com os animais
domingo, 18 de novembro de 2012
O Tempo – (Estóicos) – Cícero 106 - 43 a.C.
por Osvaldo Duarte
De Natura Deorum (Da Natureza dos Deuses), obra dividida em três livros, no segundo livro, Cícero não só recupera a concepção estóica mítica do tempo, como também, a origem natural do mito que ”humaniza” os deuses tornando-se matéria farta aos poetas, difundindo assim, a superstição entre os homens. Segundo Cícero, esta explicação estóica começa com Zenão, sendo seguido por Cleantes e, mais tarde, com Crisipo.
63. (...) Estendeu-se por toda a Grécia a velha ideia de que o Céu* foi castrado por seu filho Saturno, e o próprio Saturno foi amarrado pelo seu filho Júpiter.
64. Existe uma explicação natural para todas estas fábulas ímpias, embora não pouco complexa. (...) Quis-se também identificar Saturno com a entidade que regula o curso e o ciclo do espaço e do tempo. Aliás o deus grego tem esse mesmo nome: Krónos, que é igual a Chrónos, isto é, ‘Intervalo de Tempo’. Chama-se ‘Saturno’ porque saturat (‘come, se alimenta de’) os anos, e imagina-se que ele costumava comer os filhos nascidos dele próprio, porque o tempo devora o curso dos dias e enche-se insaciavelmente dos anos que passam. Foi amarrado por Júpiter para que assim o curso do tempo se não tornasse descontrolado, e para que pudesse ser controlado pelas amarras das estrelas. Já o próprio nome ‘Júpiter’, isto é, ‘o Pai que ajuda’, quando declinado fica ‘Iovem’, do verbo iuvare (‘ajudar’).
Dizem os poetas que ele é
“o pai dos deuses e dos homens”
e os nossos antepassados dizem que ele é o Melhor e o Maior, e colocam epíteto ‘Melhor’ primeiro porque, realmente, ele é o que mais benefícios traz, e é pois mais digno de reconhecimento ser útil a todos, do que ter muitos recursos.
* Céu (Caelus) – Tradução para o latim do deus grego Úrano.
Créditos
CÍCERO, Marco Túlio. Da Natureza dos Deuses. Trad. Pedro B. Falcão. Lisboa, Nova Vega, 2004.
GRIMAL, Pierre. Dicionário da Mitologia Grega e Romana. Trad. Victor Jabouille. Bertrand Brasil, 2000.
domingo, 28 de outubro de 2012
Da Harmonia - Heráclito – 530/20-470/60 a.C.
por Osvaldo Duarte
8. Aquilo que se obsta conduz à concordância, e das tendências contrárias provém a mais bela harmonia.
51. Não compreendem como o discorde concorda consigo mesmo: harmonia, reciprocamente tensa, como a do arco e da lira.
54. A harmonia invisível é superior à visível.
80. É preciso saber que Pólemos [a guerra] é comum, e que Dike [o direito*] é Eris [a luta ou discórdia], e que tudo acontece segundo Dike e Chreó [a necessidade].
Na obra O Banquete, na fala de Erixímaco (médico), Platão nos ajuda a compreender como a unidade opondo-se a si mesma, produz a harmonia:
“O que ele (Heráclito **), talvez quisesse significar é que a harmonia é formada de notas inicialmente discordantes, agudas e graves, porém deixadas de acordo pela arte da música. Não se concebe que possa surgir harmonia de agudos e graves que continuem a opor-se. Quem diz harmonia, diz consonância, e consonância é uma espécie de acordo, não sendo possível haver combinação de opostos, enquanto se mantêm como tais. De jeito nenhum pode haver harmonia de elementos opostos que não se combinem. A mesma coisa se dá com o ritmo, que provém do rápido e do lento, inicialmente opostos, mas que acabam por ficar de acordo.”
Damião Berge nos faz recordar que tanto o arco como a lira são objetos sagrados, de Ártemis (o arco), e de Apolo (a lira), sendo que na função própria de cada um é que se revela o ser harmonioso; e ainda, a tensão se dá quando são retirados do seu estado habitual, isto é, da sua quietude primitiva.
Esta tensão dos opostos que gera a harmonia, segundo Casertano, encontra-se em todos os aspectos da realidade.
A harmonia significava desde Homero, uma liga, um vínculo que prende em unidade. Para Heráclito, harmonia significa o equilíbrio, a concórdia.
* Costuma-se traduzir por Justiça.
** Grifo nosso.
Créditos
BERGE, Damião. O Logos Heraclítico. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1969.
CASERTANO, Giovanni. Os Pré-Socráticos. Trad. Maria da Graça Gomes de Pina. São Paulo, Edições Loyola, 2009.
PLATÃO. Diálogos, O Banquete,, vol. IV. Trad. Carlos Alberto Nunes. Pará: Universidade Federal do Pará, 1980.
